Postagens

Vandalismo, patrimônio público e espaço urbano

Imagem
Centro de São Paulo. Foto: Isabel Martin. Por Aline Passos* Em tempos de protestos contra o aumento das tarifas de transporte público em todo o país, a imprensa sempre traz à tona debates acalorados sobre vandalismo e depredação de patrimônio público. Independente do contexto das manifestações – em que nem sempre, mas eventualmente, tais ações ocorrem –, cabe uma reflexão sobre o que leva as pessoas a agir desse modo e quais os significados desses atos. É muito difícil responder a essas questões sem problematizar os termos “vandalismo” e “patrimônio público”, duas noções carregadas de um senso estético e político referenciado a grupos sociais bastante específicos e que, por isso, não podem ser tomadas a priori, como se fossem consensuais. A noção de vandalismo é sempre acionada para ler dois tipos de práticas: uma é a intervenção no espaço urbano que fere o senso estético de certos grupos sociais, mais sensíveis a pichações do que a outdoors (agressivos não só pelo tamanho, ...

Ler devia ser proibido

A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido. Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social.  Por GUIOMAR DE GRAMMONT* Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madamme Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram, meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos. Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder...

Neil deGrasse Tyson fala sobre criacionismo, divulgação científica e ensino da ciência

Imagem

O gigolô das palavras

Por Luis Fernando Verissimo* Quatro ou cinco grupos diferentes de alunos do Farroupilha estiveram lá em casa numa mesma missão, designada por seu professor de Português: saber se eu considerava o estudo da Gramática indispensável para aprender e usar a nossa ou qualquer outra língua. Cada grupo portava seu gravador cassete, certamente o instrumento vital da pedagogia moderna, e andava arrecadando opiniões. Suspeitei de saída que o tal professor lia esta coluna, se descabelava diariamente com as suas afrontas às leis da língua, e aproveitava aquela oportunidade para me desmascarar. Já estava até preparando, às pressas, minha defesa (“Culpa da revisão! Culpa da revisão!”). Mas os alunos desfizeram o equívoco antes que ele se criasse. Eles mesmos tinham escolhido os nomes a serem entrevistados. Vocês têm certeza que não pegaram o Verissimo errado? Não. Então vamos em frente. Respondi que a linguagem, qualquer linguagem, é um meio de comunicação e que deve ser julgada exclusivamente c...

Pálido Ponto Azul, de Carl Sagan

Imagem